Uma lei municipal de SP prevê o enterramento de fios da parte das concessionárias, mas a Justiça decidiu que a Enel não está obrigada a fazê-lo, visto que se trata de concessão federal
Este artigo está sendo escrito sob condições ridículas pelo colunista Mário Sabino São Paulo, a maior e mais rica cidade brasileira. Sem energia elétrica desde a sexta-feira (11) em um laptop com pouca bateria, sem wi-fi, esperando que, por meio do bluetooth que nem sempre funciona, ele se conecte com o celular carregado ontem na doceira da esquina para que eu possa transmitir estas linhas para o sistema do Metrópoles. Como chegamos a tal ponto? A Enel, concessionária encarregada de distribuir eletricidade aos paulistanos e também a outros brasileiros infelizes, é uma porcaria: os seus serviços de prevenção de problemas, de manutenção da rede, de atendimento emergencial e de comunicação com os clientes desrespeitam o contrato assinado com o governo federal e profanam os direitos dos cidadãos. Segundo especialistas, os cortes de energia podem ser atribuídos principalmente a curtos circuitos causados pela queda de árvores durante períodos de chuvas fortes - e uma das formas de contornar o problema seria a instalação subterrânea da fiação. O tema vem sendo discutido com frequência entre as autoridades paulistanas e brasileiras. A fiação aérea é uma questão incontornável que antecede a Enel, e a empresa não é responsável pela sua existência. Uma lei municipal prevê o enterramento de fios da parte das concessionárias, mas a Justiça decidiu que a Enel não está obrigada a fazê-lo, visto que se trata de concessão federal. Fios elétricos enterrados são essenciais para evitar que se fique à mercê das condições meteorológicas e da queda de árvores podres ou mal plantadas. Em 2017, o então prefeito de São Paulo João Doria prometeu enterrar 52 km de fios em 117 vias do centro. Na atual gestão de Ricardo Nunes (MDB), a meta subiu para 65 km de cabos aterrados, mas nenhum dos objetivos foi alcançado.